
Dra. Christiane Taubira e Discente do PPGCP Hugo Picanço
Ontem foi um dia extraordinário para mim como discente do PPGCP, e gostaria com muito júbilo agradecer a equipe organizadora. Foi um dia de intenso aprendizado e de muita conexão com essencialidades, principalmente em saber que estamos no caminho certo.
É fato: o nosso programa é sensacional e está produzindo coisas incríveis.
Pude constatar isso com a visão holística do que o programa está pesquisando e contribuindo para melhoria em políticas públicas em nosso Estado através de várias lideranças.
Gostaria de externar agora uma fala da palestrante Profa. Dra. Christiane Taubira que me chamou bastante atenção quando ela fez uma correlação da raça na França, Brasil e o seu ponto de vista sobre a Revolução Francesa.
A palestrante francesa, Christiane Taubira, abordou a complexidade do racismo na França e a contradição entre os ideais da Revolução Francesa e a realidade da desigualdade. Ela destacou que, embora a Revolução Francesa de 1789 tenha proclamado a igualdade universal com o lema “Direitos do Homem e do Cidadão”, na prática, essa igualdade não foi imediatamente estendida a todos.
Por exemplo, anotei de forma atenta o seguinte:
Homens: O voto universal masculino só foi conquistado em 1848, quase 60 anos depois da Revolução.
Mulheres: O direito ao voto feminino chegou apenas em 1945, um século e meio após a Revolução. Isso cria um ambiente de muita história de opressão.
A professora contextualizou o paradoxo francês. Igualdade na teoria. A França se declara uma “nação cívica” (não étnica), onde todos são iguais perante a lei, sem distinção de raça ou origem (como consta no Artigo 1º da Constituição). Porém, na prática o racismo é visível e velado. O país foi um império colonial, e a população diversificada resultante enfrenta racismo cotidiano. A palestrante criticou a dificuldade de discutir raça na França, pois a ideologia oficial nega sua existência, tornando o combate ao racismo mais difícil.
Consegui ainda registrar algumas falas da professora, do qual compartilho:
“Na França, há uma incapacidade ontológica de se falar de raça. […] É esquizofrênico: há leis contra o racismo, mas não se pode nomear o problema.”
Ela conectou isso à alienação descrita por Frantz Fanon, onde cidadãos não brancos são forçados a se identificar com um padrão que os exclui.
Portanto, a palestrante argumentou que a Revolução Francesa, apesar de seu discurso igualitário, perpetuou exclusões (como a negação do voto feminino e a marginalização de não brancos), e que a França ainda hoje luta para reconciliar seu ideal universalista com a realidade do racismo estrutural. Sua fala reforçou a importância de políticas interseccionais, como as discutidas no evento da UFPA.
Notei também na fala da professora o seu júbilo em palestrar aqui no Brasil, na Amazônia, na qual este tema é possível ser debatido, diferente da França em que isso não se pode falar, inclusive os professores que pesquisam isso na França são estigmatizados.
Hugo Sanches da Silva Picanço
Mestre em CP pela UFPA.