Feminismo indígena e corpo-território: aprendizados essenciais para a preservação da Amazônia e direitos ancestrais

Participei ontem de um evento grandioso e inspirador promovido pela Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-PA: o Clube do Livro da CMA. O debate, focado no livro ‘Palavras, la voz de las mujeres indígenas’ de Ángela Gentile, contou com a brilhante participação da Profa. Dra. Cris Mesquita (UFPA). Estive presente e acompanhei as discussões.
Um dos conceitos centrais discutidos foi o de corpo território. Essa poderosa categoria analítica, que nasceu da resistência histórica de mulheres indígenas defendendo suas terras com seus corpos, é essencial para compreendermos as lutas contemporâneas pela terra e pela ancestralidade.
Em nosso contexto paraense, esta ideia ressoa profundamente com a defesa da Amazônia, tornando-se fundamental no debate para a COP 30 e para garantir a defesa da nossa terra e da vida.
O que é o conceito de “corpo território”? O conceito de corpo território nasceu da teoria do movimento feminista indígena. Ele representa uma ideia fundamental no feminismo indígena e no ecofeminismo, especialmente no contexto latino-americano. Essencialmente, o conceito estabelece uma ligação intrínseca entre o corpo físico de uma pessoa e a defesa do seu território, seja a terra ancestral, a comunidade ou o espaço de vida. A Professora Cris Mesquita, da UFPA enfatizou que não se pode pensar o movimento das mulheres indígenas fora do feminismo, pois o feminismo, como ação social, proporcionou um “respiro” para defender o corpo enquanto território. A ideia é que a defesa do corpo é inseparável da defesa da terra.
Qual foi o local em que houve resistência das mulheres que originou o conceito? A Professora Cris Mesquita explicou que a ideia do corpo território surgiu historicamente a partir da guerra civil que aconteceu no povoado de Chiapas na década de 1960. Naquela região do México (atualmente o estado mexicano de Chiapas), multinacionais norte-americanas estavam invadindo territórios indígenas.
Enquanto os homens aceitaram trabalhar para as multinacionais, as mulheres de Chiapas se recusaram a sair de suas casas. Elas formaram um “cordão todo feminino de corpos” para impedir fisicamente a instalação das empresas em suas terras. Este ato de colocar o corpo para impedir a invasão do território é a origem da ideia de corpo território.
Qual a importância deste conceito? A importância do conceito de corpo território reside em ser a origem de um ato político e uma prática social de resistência. Ele demonstra que a simples presença física do corpo no local da luta é uma forma de se impor e defender o que é seu. A Professora Cris Mesquita relacionou essa ideia a outros movimentos sociais atuais, onde corpos são colocados para defender direitos e espaços. Além disso, o conceito é fundamental para entender o ecofeminismo, que liga a luta pela emancipação das mulheres à defesa da natureza. Como destacou Monique, ele nos força a olhar para nossa ancestralidade e perceber a profunda conexão entre cultura, terra e identidade, indo além de uma visão puramente técnica ou comercial.
Portanto, NÃO EXISTE EMANCIPAÇÃO SEM LUTA.
Fica a dica de leitura e conceito do dia!
Professor Hugo Picanço
Insta – @hugometodo

está gostando do conteúdo? Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Para acessar preencha o formulário

Métodos Online Cursos
Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.