
Fiz uma resenha do artigo do autor decolonial Miguel A. Altieri sobre “Agroecologia, Agricultura Camponesa e Soberania Alimentar” apresenta uma análise crítica e abrangente das alternativas sustentáveis ao modelo agroindustrial dominante. O autor, que é agrônomo e entomologista chileno argumenta que a agricultura industrial, orientada para exportação e baseada em monoculturas, gera diversos problemas ambientais, compromete a saúde pública, degrada a qualidade dos alimentos e desestabiliza os meios de vida rurais tradicionais, levando ao endividamento de muitos agricultores.
Altieri destaca que a Revolução Verde, embora tenha aumentado a produção de certos cultivos, mostrou-se insustentável ambientalmente, causando perda dramática de biodiversidade e erosão do conhecimento tradicional. Em contrapartida, o autor defende o conceito de soberania alimentar como fundamental para garantir o direito dos povos a alimentos nutritivos e culturalmente adequados, promover sistemas alimentares locais mais sustentáveis, fixar populações em seus territórios e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas através de práticas agrícolas ecológicas.
O texto enfatiza que, por séculos, a humanidade foi alimentada por sistemas agrícolas tradicionais, caracterizados pelo uso de recursos locais, conhecimento indígena acumulado e grande diversidade biológica e genética. Estes sistemas demonstraram notável adaptabilidade a condições climáticas variáveis. A soberania alimentar, segundo Altieri, proporciona autonomia e controle local sobre sistemas alimentares, preservação de culturas alimentares tradicionais e redução da dependência de mercados externos voláteis.
O artigo destaca o papel crucial dos camponeses como atores-chave para a segurança alimentar regional, enfatizando sua contribuição significativa na produção de alimentos básicos em diversos países. Altieri apresenta evidências de que as pequenas propriedades agrícolas são mais produtivas por unidade de área que grandes monoculturas, utilizam recursos de forma mais eficiente e conservam melhor a biodiversidade e os recursos naturais.
O autor argumenta que uma economia rural baseada em pequenos agricultores mantém famílias vinculadas à terra, promove sustentabilidade ambiental e fornece alimentos para o mundo, contrastando com monoculturas voltadas para produção de agrocombustíveis. Além disso, Altieri destaca o papel dos camponeses como guardiões da agrobiodiversidade, mantendo variedades locais livres de organismos geneticamente modificados (OGMs).
O texto argumenta que as pequenas propriedades agrícolas são mais resilientes às mudanças climáticas devido à maior diversidade de cultivos, uso de variedades locais adaptadas e práticas agrícolas que conservam água e solo. Altieri defende que a aplicação de princípios agroecológicos pode melhorar significativamente a produtividade dos pequenos sistemas agrícolas de forma sustentável.
Por fim, o autor ressalta a importância dos movimentos sociais rurais na promoção da agroecologia e soberania alimentar, destacando seu papel na luta por reformas agrárias e políticas públicas que apoiem a agricultura camponesa sustentável. Esta resenha sintetiza os principais argumentos de Altieri, evidenciando a relevância da agroecologia e da agricultura camponesa como alternativas viáveis e necessárias para enfrentar os desafios alimentares e ambientais contemporâneos.
Para ter acesso ao artigo completo do professor basta clicar no link abaixo:
https://revista.fct.unesp.br/index.php/nera/article/view/1362/1347
Professor Hugo Sanches Picanço